CAARAPÓ: PF garante reintegração mesmo com resistência indígena

Delegado afirma que desocupação da área exige “cooperação com a Justiça”.

Por Dourados News 07/04/2018 - 06:46 hs
Foto: Osvaldo Duarte
CAARAPÓ: PF garante reintegração mesmo com resistência indígena
Delegado Luiz Carlos Porto

Já estão em Dourados os agentes da Polícia Federal que atuam em Brasília (DF) para contribuir na operação de reintegração de posse da Fazenda Santa Maria e uma área desmembrada da Fazenda Novilho, nas proximidades de Caarapó. 

Nesta semana o Dourados News divulgou a situação delicada que envolve o caso e para o delegado  Luiz Carlos Porto, que atua há oito anos no setor de repressão a crimes contra indígenas, a desocupação da área exige “cooperação com a Justiça”. 

Com mandado de desocupação em mãos, os agentes esperam conseguir pacificamente dos indígenas durante a reintegração das áreas, localizadas próximo às comunidade Tey Kue. A localidade já foi marcada por morte durante “guerra pela terra”. 

Em 2016, o indígena Clodiodi Aquiles de Souza, de 23 anos, morreu após confronto com fazendeiros e peões armados. Outros seis ocupantes ficaram feridos. Após a morte de Clodiodi, a área foi rebatizada em homenagem à vítima e passou a se chamar Kunumi Vera, que significa guerreiro iluminado.

COLETIVA

Durante coletiva realizada na manhã desta sexta-feira (6), Porto explicou detalhes da operação. O delegado garantiu que inicialmente estão sendo realizadas tratativas na busca pela saída voluntária, mas mesmo em caso de resistência, a ordem judicial será cumprida. 

“O índio tem uma característica diferente, só quem trabalha com eles conseguem entender. Eles têm um orgulho pela luta da terra, que é muito louvável. O recuo numa situação de saída das áreas que eles entendam que sejam deles, pra eles é muito difícil, porque eles têm que mostrar uma austeridade pela luta da terra, mas eu sempre coloco que em batalhas a gente sempre dá um passo pra trás para dar passos para frente” afirmou.

Ainda não há data prevista para tomada da área, porém, pelo menos quatro encontros já aconteceram com as lideranças a fim de orientar a procedência das comunidades diante da ordem de saída da terra.

A Polícia Federal sugeriu aos indígenas uma espécie de transferência para áreas que não são objetos do mandado. 

“Com a sensibilidade do assunto a gente sempre procura dialogar com a comunidade e isso continuará sendo feito para que não seja necessária uma desocupação forçada da região. Na desocupação forçada acaba havendo uma situação muito traumática e dependendo da resistência podem sair pessoas feridas da área, o que não é o nosso objetivo, uma vez que nós não estamos lidando com criminosos e sim com uma comunidade que está lutando pelos seus direitos” concluiu Porto.